A seleção japonesa de futebol está prestes a escrever um novo capítulo em sua história nas Copas do Mundo. Yuto Nagatomo, aos 37 anos, confirmou presença na lista final dos Samurai Blue para a edição de 2026 e está prestes a se tornar o primeiro jogador japonês a participar de cinco mundiais diferentes, um feito que consolidará seu lugar como um dos maiores ícones do futebol do Japão.
O anúncio da convocação, feito pelo técnico Hajime Moriyasu, trouxe consigo tanto celebrações quanto preocupações. Nagatomo, que iniciou sua carreira internacional em 2008, estará presente em suas quintas Copas do Mundo — Alemanha 2006 (quando ainda era promessa), África do Sul 2010, Brasil 2014, Rússia 2018 e Estados Unidos 2026 — um trajetória extraordinária que poucos jogadores no cenário internacional conseguem igualar.
“Nagatomo representa tudo o que é o futebol japonês: dedicação, profissionalismo e uma vontade inabalável de representar seu país”, declarou Moriyasu em entrevista coletiva em Tóquio. A convocação do experiente lateral-esquerdo demonstra que, mesmo com a aposentadoria técnica de outras lendas como Maya Yoshida e Mamoru Osako, a nova geração ainda precisará aprender com quem conhece a pressão dos grandes palcos mundiais.
A grande ausência: Kaoru Mitoma e Wataru Endo
Se a confirmação de Nagatomo trouxe alegria aos torcedores japoneses, as notícias sobre Kaoru Mitoma e Wataru Endo causaram preocupação. Ambos os jogadores foram cortada da lista final devido a lesões, o que representa um golpe significativo nas ambições da seleção asiática no Mundial.
Mitoma, destaque do Brighton & Hove Albion na Premier League inglesa, sofreu uma lesão no tornozelo durante as eliminatórias asiáticas. O ponta de 27 anos acumulou 15 gols e 8 assistências na temporada 2024-25 do futebol inglês, sendo frequentemente comparado pelos analistas britânicos a jogadores como Vinícius Júnior pela sua capacidade de drible e velocidade — uma referência que ecoa nas transmissões da Globo Esporte para o público brasileiro.
Wataru Endo, capitão da seleção japonesa e jogador do Liverpool, enfrenta uma lesão no joelho que o afastou dos gramados por pelo menos três meses. O volante de 32 anos foi fundamental na campanha do Liverpool na Premier League, onde acumula 89% de precisão nos passes e uma média de 3,2 desarmes por jogo na última temporada. Sua ausência no meio-campo japonês deixa um vazio que Moriyasu terá dificuldade em preencher.
Contexto histórico e a busca pela consolidação
O Japão chega à Copa do Mundo de 2026 com o objetivo claro de superar sua melhor campanha histórica — as oitavas de final alcançadas em 2010 e repetidas em 2022. Desde o primeiro appearance do país em mundiais em 1998, a seleção Samurai Blue evoluiu constantemente, passando de um time competitivo para uma força reconhecida no cenário internacional.
Os números falam por si: em cinco participações anteriores em Copas do Mundo, o Japão soma 10 vitórias, 7 empates e 12 derrotas, com 36 gols marcados e 39 sofridos. A média de idade do elenco convocad — 26,4 anos — demonstra uma mescla interessante entre experiência e juventude que pode ser determinante em uma competição tão desgastante.
Perspectiva sul-americana e o brilho brasileiro
A ausência de Mitoma e Endo não é vista com indiferença no continente sul-americano. O atacante Endrick, sensação do Palmeiras e agora jogador do Real Madrid, comentou sobre o nível do futebol japonês durante uma entrevista à Record TV: “O Japão cresceu muito nos últimos anos. Jogadores como Mitoma seriam titular em qualquer equipe brasileira. A seleção japonesa tem qualidade para fazer um grande papel no Mundial”.
Essa percepção é compartilhada por vários analistas sul-americanos. Nas Eliminatórias sul-americanas, diversas vezes se comentou sobre a necessidade de organizar jogos preparatórios contra equipes asiáticas de alto nível, e o Japão sempre surge como uma das opções mais atrativas.
Na visão de Tite, ex-técnico da seleção brasileira, o Japão representa “um modelo de organização e trabalho de longo prazo que muitas seleções poderiam copiar”, referindo-se ao programa de desenvolvimento implementado pela Japan Football Association nas últimas duas décadas.
O que esperar para 2026
Com a ausência dos dois grandes nomes, Moriyasu terá que reinventar sua equipe. Os olhos estarão voltados para Takefusa Kubo, atacante do Real Sociedad, que pode assumir o papel de protagonista no ataque. O jovem de 23 anos acumulou 12 gols na última temporada do Campeonato Espanhol e representa a nova geração do futebol japonês.
O goleiro Eiji Kawashima, outro sobrevivente das antigas gerações, também deve estar presente, buscando manter a tradição japonesa de goleiros de alto nível — posição onde o Brasil frequentemente admira a consistência japonesa.
A expectativa é que o Japão enfrente um grupo complicado na fase de grupos, possivelmente contra equipes europeias e sul-americanas. Para avançar às oitavas de final, a seleção precisará da experiência de Nagatomo conjugada com o talento da nova geração — um equilíbrio delicado que determinará o sucesso ou fracasso dos Samurai Blue em terras norte-americanas.