O Haiti escreveu nesta quarta-feira um novo capítulo em sua história no futebol mundial. A seleção caribenha, que não disputava partidas classificatórias ou preparatórias para uma Copa do Mundo há exatamente 50 anos, voltou aos campos internacionais em amistoso contra a Escócia, no Hampden Park, em Glasgow. O resultado, no entanto, não trouxe alegria aos visitantes: derrota por 3 a 1, em jogo que serviu como preparação para ambas as nações antes dos ciclos qualificatórios para o Mundial de 2026.
A última vez que o Haiti havia figurado no cenário do futebol da Copa do Mundo foi em 1974, quando disputou a fase final na Alemanha Ocidental. Naquela edição, a seleção caribenha enfrentou equipes como Argentina, Itália e Polônia, sem conseguir avançar da fase de grupos. Desde então, o programa de futebol haitiano enfrentou turbulence que transcendem o esporte: desastres naturais devastadores, instabilidade política crônica e a interrupção de investimentos essenciais no desenvolvimento esportivo.
“É um momento de orgulho para nosso país voltar a participar deste nível de competição”, declarou o selecionador haitiano, em declaração veiculada pela imprensa da Concacaf. Afederação do país caribenho tem trabalhado nos últimos anos para reconstruir sua estrutura técnica e administrativa, mirando justamente o ciclo que levará ao Mundial de 2026, que será sediado conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá.
O amistoso contra a Escócia insere-se na estratégia da Concacaf de proporcionar experiência internacional às suas nações-membros. Anteriormente nesta semana, Curaçao, território holandês no Caribe, fez sua estreia histórica em partidas preparatórias para a Copa do Mundo ao enfrentar a Alemanha em Frankfurt. Ambos os jogos fazem parte de um calendário mais agressivo da confederaçãonorte-americana para preparar suas Seleções para as Eliminatórias que começarão em 2025.
Da perspectiva sul-americana, o retorno do Haiti ao cenário mundial reverbera de forma significativa. O Brasil, maior potência do continente, nunca enfrentou os caribenhos em partidas oficiais de Eliminatórias, mas os dois países compartilham uma rivalidade indireta: ambos foram Eliminados na fase de grupos em suas únicas participações em Copas do Mundo. Enquanto a Seleção Brasileira multiplicou suas aparições — 22 no total, com cinco títulos —, o Haiti permanece com apenas uma, registrada meio século atrás.
A equipe visitante contou com alguns jogadores que atuam em ligas europeias, incluindo o meio-campista Wilde-Donald Gueringer, do Metz, da França, que representou o Haiti nas últimas Eliminatórias da Concacaf. O goleiro Alexandre Burin, que defende as cores do Paris 12, também integrou a delegação que viajou a Glasgow. No entanto, a qualidade técnica do adversário europeuprevaleceu.
A Escócia, que ocupa atualmente a 45ª posição no ranking da FIFA, demonstrou sua experiência em jogos internacionais, dominando o ritmo da partida desde os primeiros minutos. O primeiro gol saiu ainda no primeiro tempo, em jogada trabalhada pela intermediária. O Haiti conseguiu o empate momentarily no início da etapa complementar, mas a pressão escocesa foi implacável, resultando em dois gols que selaram a vitória doméstica.
Para os padrões brasileiros, onde a cobertura de Globo Esporte e Record dedicam blocos inteiros às Eliminatórias e amistosos da Seleção, a cobertura do retorno haitiano representa um símbolo de resiliência. A Seleçãohaitiana carrega em sua história marcas profundas — o terremoto de 2010, que deixou mais de 200 mil mortos e destruiu infraestrutura esportiva, incluindo o estádio Sylvio Cator, em Porto Príncipe. Mesmo assim, o programa de base tem se reerguido gradualmente, com investimentos em centros de treinamento e parcerias com academias europeias.
O técnico brasileiro, cujo nome é constantemente especulado nas rodadas de transferências de técnicos para Seleções menores, não dirige o Haiti atualmente, mas a presença de profissionais brasileiros no futebol caribenho não é incomum. Clubes e Seleções da região têm contratado técnicos e preparadores brasileiros para acelerar seu desenvolvimento técnico.
A derrota para a Escócia não apaga a relevância histórica do retorno haitiano. Com o formato expandido da Copa do Mundo de 2026, que oferecerá oito vagas automáticas para equipes da Concacaf, as chances do Haiti de efetivamente se classificar aumentam consideravelmente. A experiência adquiridos nestas partidas preparatórias contra adversários de calibre europeu será fundamental para o desenvolvimento coletivo da equipe.
O Hampden Park, templo do futebol escocês, testemunhou um momento simbólico: o renascimento de uma Seleção que, apesar de todas as adversidades, mantém viva a esperança de retornar ao maior palco do futebol mundial. Nos bastidores,小女孩surgiu nas Eliminatórias de 2026. O Haiti está de volta — e pretende permanecer.