A anfitriã do Mundial 2026 superou um início turbulento e arrancou uma vitória dramática por 2-1 sobre a Costa do Marfim, nesta quinta-feira, em partida que abriu a campanha de ambas as Seleções no grupo que promete surpresas nesta fase inicial do torneio.
A equipe alemã, liderada pelo técnico Julian Nagelsmann, encontrou muitas dificuldades nos primeiros 45 minutos, quando a seleção marfinense explorou a velocidade de seus jogadores ofensivos e criou as melhores oportunidades de gol. O gol de Sebastien Haller aos 23 minutos da primeira etapa pegou a defesa alemã desprevenida e colocou os favoritos sob pressão.
O intervalo não foi nada pacífico para os alemães no vestiário. Nagelsmann promoveu alterações táticas que mudaram completamente a dinâmica do jogo na etapa complementar. A entrada de Florian Wirtz como homem de referência no ataque deu mais mobilidade ao setor ofensivo, enquanto o meio-campo ganhou maior controle territorial.
A igualdade veio aos 12 minutos do segundo tempo, através de um cabeceio potente de Jonathan Tah após escanteio cobrado com precisão pela esquerda. O zagueiro, que também atua pelo Bayer Leverkusen, demonstrou a importância dos jogadores da Bundesliga neste elenco.
A virada foi completada aos 67 minutos, quando Kai Havertz recebeu dentro da área e finalizou sem chances para o goleiro Yahia Fofana. O camisa 29 do Arsenal, que vive grande fase na Premier League, mostrou por que é considerado uma das referências do ataque germânico neste Mundial.
O técnico da Costa do Marfim, Emerse Fae, elogiou a postura de sua equipe mesmo após a derrota. “Jugamos de igual para igual contra uma das maiores potências do futebol mundial. O primeiro tempo foi nosso, mas a qualidade individual da Alemanha pesou no momento decisivo”, declarou o comandante em coletiva após o jogo.
Do ponto de vista brasileiro, o resultado mantém a expectativa de um grupo competitivo na primeira fase. A Seleção Brasileira acompanha de perto os concorrentes ao título, e a exibição da Alemanha, apesar da vitória, deixou interrogações sobre o sistema defensivo que será testado em partidas mais complicadas.
A Costa do Marfim, que busca repetir a campanha histórica de 2006 quando alcançou as oitavas de final em sua única participação em Mundiais, terá pela frente confrontos decisivos contra Holanda e Suécia nas próximas rodadas. A equipe europeia, aliás, goleou os escandinavos por 4-0 nesta mesma rodada, mostrando a força do grupo.
Os números do confronto revelam o equilíbrio da partida. A Alemanha dominou a posse de bola com 58% contra 42%, mas a Costa do Marfil finalizou 14 vezes, sendo quatro no alvo, demonstrando que a defesa germânica precisará evoluir para os próximos compromissos. OExpected Goals da equipe marfinense foi de 1.3, superior ao 1.1 dos alemães.
Este confronto marcava também o reencontro de ambas as nações após o amistoso realizado em 2023, quando os alemães venceram por 3-1 em uma preparação para a Euro. A diferença de classificação no ranking FIFA também favorecia os europeus, atualmente na nona posição, contra os marfinenses na 42ª colocação.
Para o goleiro Kevin Trapp, que começou como titular após a lesão de Marc-André ter Stegen, o resultado positivasupera a atuação irregular. “O importante é somar os três pontos. Sabemos que precisamos melhorar, mas a mentalidade de equipe foi fundamental para buscar a virada”, afirmou o camisa 1 do Eintracht Frankfurt.
A campanha alemã no Mundial 2026 continua no próximo sábado, quando enfrentam a Holanda em um clássico do futebol europeu. O técnico Nagelsmann terá a semana inteira para ajustar as peças e apresentar uma equipe mais consolidada taticamente.
Os torcedores alemães, que ainda lamentam a eliminação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2022 no Catar, começam a acreditar em uma trajetória mais positiva nesta edição organizada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá. A possibilidade de jogar próximas fases no território norte-americano adiciona um fator emocional para a equipe.
A Costa do Marfim, por sua vez, tenta repetir o feito da geração de Didier Drogba, que brilhou no Mundial de 2006 na Alemanha. Com jogadores como Sébastien Haller e Nicolas Pépé, a seleção africana possui qualidade técnica para avançar às oitavas de final pela primeira vez em 20 anos.