Aos 27 anos, Frenkie de Jong vive um dos momentos mais delicados de sua carreira. O meio-campista do Barcelona enfrenta uma corrida contra o tempo para convencer a comissão técnica da seleção holandesa de que está apto para defender as cores da Laranja Mecânica na próxima janela internacional. O técnico Ronald Koeman, que também já vestiu a camisa do Barcelona como jogador, acompanhou de perto a situação do seu camisa 21 e ofereceu uma atualização que mescla otimismo com a dose de cautela necessária.
“As coisas estão progredindo, mas ainda precisamos ter paciência”, declarou Koeman em coletiva de imprensa. “O Frenkie é um jogador fundamental para o nosso sistema, mas a saúde dele vem em primeiro lugar. Não vamos arriscar um jogador que pode ficar months fora caso force o retorno antes da hora”, completou o comandante holandês, deixando clara a posição da federação.
Os números da temporada não mentem. De Jong registrou apenas 1.347 minutos em campo pela equipe culé nesta campanha, distribuídos em 23 partidas — número bem abaixo do esperado para um jogador do seu calibre e investimento. Para efeito de comparação, na temporada 2022/23, quando o Barcelona conquistou o título do Campeonato Espanhol, o holandês acumulou mais de 3.100 minutos em 46 jogos. A diferença de quase 1.800 minutos representa quase 20 partidas completas a menos, um dado que preocupa tanto o clube quanto a seleção.
Os problemas físicos de De Jong não são novidade. Desde sua chegada ao Camp Nou em 2019, após uma transferência de 75 milhões de euros vindo do Ajax, o jogador já enfrentou lesões no tornozelo, na panturrilha e, mais recentemente, uma persistente lesão no pé que o manteve afastado por quase quatro meses entre 2023 e 2024. Esse histórico de contusões recorrentes levanta questionamentos sobre sua capacidade de suportar a intensidade dos compromissos internacionais durante toda a temporada.
A situação ganha contornos ainda mais interessantes quando observada pela lente brasileira. No Barcelona, De Jong divide vestiário com Raphinha e Raphinha, dois brasileiros que têm sido pilares da equipe de Hansi Flick. Raphinha, em especial, vive excellent momento, sendo decisive em diversas partidas e ocupando a vaga que poderia ser de De Jong quando o holandês está ausente. O desempenho do brasileiro na última Champions League — foram 8 gols e 9 assistências em 12 jogos — contrasta com a intermitência do holandês e alimenta o debate sobre o futuro do meio-campo blaugrana.
As transmissões da ESPN Brasil e as reportagens do GE (Globo Esporte) têm dedicado atenção especial ao caso, principalmente pela influência que a condição física de De Jong pode ter no rendimiento do Barcelona na reta final da temporada. O clube catalão ainda luta por títulos em três frontões — La Liga, Copa del Rey e Champions League — e a ausência de um jogador que conhece tão bem o sistema tático pode custar caro nas semanas decisivas.
Do outro lado do Atlântico, a seleção holandesa também sente o impacto. Koeman convocou 26 jogadores para os próximos compromissos internacionais, e a possível ausência de De Jong obrigaria o treinador a repensar a estrutura do meio-campo. Players como Ryan Gravenberch, do Liverpool, ejerce pressão por um lugar no time titular, mas a qualidade técnica e a visão de jogo de De Jong são difíceis de replicar.
A conexão histórica entre Barcelona e Países Baixos não pode ser ignorada. Johan Cruyff, lendário jogador e treinador do Barcelona, mudou a filosofia do clube na década de 1990, e o estilo holandês de jogar futebol permanece enraizado no DNA catalão. De Jong, muitas vezes comparado a seus predecessores, carrega nas costas a expectativa de manter viva essa tradição. Quando está em campo, é impossível negar sua qualidade — passes precisos, transições rápidas e uma leitura de jogo que poucos no mundo conseguem igualar.
O que resta agora é aguardar. A janela de jogos internacionais se aproxima, e a decisão sobre a participação de De Jong será tomada nas próximas horas. Koeman sabe que não pode-pressurar um jogador a voltar antes do tempo, mas também reconhece que precisa do seu melhor homem para enfrentar os desafios que virão. No Camp Nou, os torcedores também torcem por uma recuperação rápida, afinal, um De Jong saudável é sinônimo de Barcelona mais forte.
O futuro, por enquanto, permanece uma promessa — e a bola, como sempre, está com ele.